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Ontem, depois de fechar alguns textos, resolvi tomar um café na padaria. Sentei no balcão e, ao meu lado, um casal discutia a polarização política nas redes sociais. Entre mortadelas e coxinhas, o que me chamou atenção foi a frase: “o algoritmo do FaceBook define o conteúdo da sua linha do tempo, manipula a sua opinião, te coloca em uma bolha”. Confesso que imaginei algoritmos vagando, como fantasmas, pela internet e interferindo na vida alheia.

 

Não é a primeira vez que ouço alguém “culpar” os algoritmos quando algo controverso acontece na web.  Resolvi, então, escrever este post.

 

De acordo com o dicionário Houaiss, em computação, o algoritmo é “o conjunto das regras e procedimentos lógicos perfeitamente definidos, que levam à solução de um problema em um número finito de etapas”. Simplificando: é uma lista detalhada de tarefas. Sabe aquela receita especial da sua avó, anotada no caderno? Para obter o resultado esperado, você tem de seguir o passo a passo, exatamente como está escrito. Esta receita é um algoritmo.

 

Para “ensinar” o computador a realizar uma tarefa, é preciso escrever – em linguagem de máquina – as etapas necessárias. No mundo da informática, não existe o óbvio. Os softwares (também conhecidos por programa, sistema ou código) detalham a forma como se chega a um resultado. Quando você paga uma compra com cartão, por exemplo, a maquininha segue instruções como:

  • Ler o chip do cartão
  • Solicitar a senha
  • Caso a senha seja compatível com o chip:

fazer a conexão telefônica com a central

Verificar saldo ou crédito

realizar a transação

mostrar na tela: operação concluída

  • Se a senha não for compatível com o chip:

anular a transação

mostrar na tela: senha inválida

 

É claro que as situações diárias são mais complexas e um bom código prevê diversos desdobramentos. No nosso caso da maquinha, é preciso dizer ao computador o que fazer quando o cliente não tem saldo ou crédito para o pagamento. Os algoritmos vão sendo, assim, grudados uns nos outros.

Aplicativos, como o FaceBook, são compostos por um conjunto de algoritmos (ou listas de tarefas), escritos por programadores. Os programadores funcionam como tradutores, ao tornar compreensível para as máquinas, as regras, os planos de negócio e os objetivos da empresa ou do serviço. Para isso, eles estudam as linguagens de programação.

Programadores transcrevem as instruções para a linguagem das máquinas. Crédito da foto: Alvaro Reyes (Unsplash)

No caso do FaceBook, entre as tarefas da rede social está a de selecionar os assuntos que você mais gosta e priorizá-los na sua linha do tempo. Se você tem um amigo com o qual interage todos os dias – curtindo ou comentando as publicações –, ele terá preferência nas suas visualizações. O sistema foi programado para isso.

 

Ao criar um perfil em qualquer rede social, você “ganha”  uma espécie de robô, um sistema que age como assistente pessoal e obedece a uma série de algoritmos. Suas tarefas são a de destacar o que você lê ou curte para oferecer conteúdo dirigido. Eu, por exemplo, adoro natação. Então o Instagram sugere muito conteúdo sobre o esporte. Se você segue musas fitness, prepare-se para uma enxurrada de conteúdo sobre atividades físicas e dieta.

 

Os robôs também bisbilhotam sua navegação na internet. Por isso, após pesquisar uma viagem, aparecem anúncios com ofertas de pacotes, hotéis e voos quando você acessa a rede social. Automaticamente, como se “adivinhassem” seu desejo de viajar.

 

Já o casal da padaria experimentou a “bolha” causada por essa função do algoritmo. Se eu tenho uma inclinação política, vou consumir certo tipo de conteúdo e defender determinadas ideias. Meu robozinho particular “percebe” e prioriza as publicações com maior probabilidade de me agradar.

 

O problema disso? Se eu uso a rede social como fonte de informação, não terei acesso ao outro lado da história. Por isso, algumas discussões no Twitter ou Facebook se parecem com briga de bar. Ninguém sabe do que está falando, mas a briga corre solta. Mas isso não é culpa do algoritmo.

 


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2 thoughts on “Esse tal algoritmo”

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