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Em Marte, o Rover Curiosity, robô da agência espacial norte-americana (NASA), vasculha o solo. Em seu trabalho solitário, busca água e cataloga minerais há quase seis anos. Para “ler” a superfície marciana, a máquina utiliza uma tecnologia de nome complicado: a espectroscopia de emissão óptica com plasma induzido por laser (LIBS).

Segundo a NASA, a técnica consiste em disparar laser nas rochas. O raio atinge um ponto do tamanho da cabeça de um alfinete. A energia do laser gera um gás ionizado, chamado de plasma. Neste gás, as partículas ‘flutuam’ e assumem diferentes cores. Com o uso de instrumentos capazes de analisar o espectro de luz emitido pelo plasma (os espectrômetros), é possível identificar características físicas e elementos químicos presentes na amostra.

No rompimento causado pelo laser, cada elemento apresenta uma cor. Os softwares leem e comparam as substâncias com as catalogados por aqui, na Terra. Assim, o Curiosity investigou as características das rochas de basalto, as mais comuns em Marte, e encontrou semelhanças com minerais como silício, magnésio, alumínio, cálcio, sódio, potássio e titânio.

Na cidade de São Carlos (SP), a tecnologia utilizada pela NASA encorpou um projeto de mapeamento do solo brasileiro. A unidade Embrapa Instrumentação se uniu à startup Agrorobótica para desenvolver um equipamento capaz de explorar a composição do solo nas lavouras de todo o país. A meta, bem mais trivial do que encontrar água em Marte, é ampliar a produtividade do agronegócio, evitando quebras nas safras. “Trata-se de garantir que vamos produzir alimentos suficientes, munindo os produtores de informações para manejo e nutrição do solo”, explica a pesquisadora Aida Bebeachibuli Magalhães, da Agrorobótica.

Robô analisa amostras de solo em apenas um minuto. Crédito da foto: Ediane Tiago

O equipamento, batizado de AGLIBS 1.0, é uma caixa metálica pouco maior do que um forno de micro-ondas. Acoplado a ele, um suporte recebe as amostras de solo – compactadas em pastilhas do tamanho e espessura das moedas de um Real. Cada amostra carrega informações geográficas do local de recolhimento. “O agricultor nos envia a amostra, catalogamos a localização e então prensamos e inserimos na máquina”, descreve Aida. Dentro da caixa, o laser é disparado e as partículas se separam e brilham em diferentes cores.

A análise é realizada por sistemas de inteligência artificial, que comparam as cores encontradas às catalogadas e relacionadas às características físicas e químicas do solo. A solução possui, atualmente, módulos para analisar carbono, textura (como os teores de areia e argila) e pH. O processo é rápido – demora cerca de um minuto –, preciso e não gera resíduos. O resultado é enviado ao produtor, com recomendações agronômicas, por meio de um aplicativo móvel. O equipamento é capaz de realizar 1,5 mil análises por dia.

Para Aida, a agronomia será potencializada pela inteligência artificial, tornando a aplicação do conhecimento mais acessível ao produtor rural. “A capacidade de reação é muito rápida. É possível identificar, em qualquer momento da produção agrícola, as necessidades específicas de nutrição do solo”, comenta.

Além disso, o estudo das amostras permitirá a criação de um banco de dados sobre o solo brasileiro. Com as características químicas e físicas mapeadas, será possível planejar a produção de alimentos e criar mecanismos para avançar, de forma sustentável, no agronegócio.

 

Crédito da foto no topo da matéria: Gabriel Jimenez (Unsplash)


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One thought on “Tecnologia utilizada pela NASA mapeia solo brasileiro”

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